5 de nov. de 2012

HEGEMONIA, MOMENTUM E PAIDEIA

Reflexões sobre Filosofia Política



大道廢有仁義    Da Dao Fei You Ren Yi !

Grande Dao Declina... surgem  a   Bondade e a  Moral!

    Lao Zi, Dao De Jing, XVIII


Dois termos gregos e um latino, cujos significados não sofreram qualquer variação semântica ao longo da história, porquanto seus sentidos são inequívocos.Talvez apenas momentum tenha incorporado certo realce na estilística recente, hegemonia e paideia, por sua vez, adquiriram proeminente estatuto com Gramsci e Jaeger.

O verbo hegemonein, em grego, significa: aquilo que lidera, que leva adiante um movimento, tal como a ponta de um cardume ou o curso de um processo social conduzida por um grupo político. Os antigos gregos sabiam sobejamente a que realidade o termo se referia e talvez por isso havia dentre eles o dito: deliberar..., lentamente, mas partir com rapidez para a ação (Bouleuou men bradeos, epitelei de tacheos)!

Num sentido amplo, consideramos  "vanguarda" como aquele segmento da sociedade pressuposto de conduzir  adiante a tocha das "melhores" perspectivas de avanços de uma cultura, que espera-se poder constituir a tendência hegemônica. Os bolsheviques, quando assumem de facto o poder e se consolidam como nova ordem, passam a ter gradualmente hegemonia em todo espectro social e cultural da nova Rússia, mas aos poucos perderão essa dimensão por usurpação do poder decisório e se manterão como hegemônicos apenas no plano politico, no aparelho do estado e questionavelmente junto às massas ( não se dispõe de estatísticas de pesquisa de opinião dessa época!), como uma maioria partidária interna da nomenclatura que se formava. O conceito latente de hegemonia, popular,  democrática desaparece para ceder lugar a  uma concentração de poderes que não seria legitimada pelas urnas, mas pela pura imposição do programa do núcleo central sobre as instituições do estado. Mas essa era de qualquer forma uma *vantagem* hegemônica, politicamente real (vernunftig und wirklich, racional e real, diria Hegel), ainda que manu militari, que durou várias décadas através de oscilações apenas internas do bloco consolidado, e de muita e radical eliminação da oposição "revisionista ", assim como a prática de outras "profilaxias".

Tal paradigma de consolidação de poder tem sido repetido em vários outros processos políticos, na China e em Cuba por exemplo, e é possível que ecos  daquele modelo leninista, em dimensão diminuta e sob a égide de outro Zeitgeist, haja sido, ainda que tenuemente, articulado recentemente no Brasil.

Tal teria ocorrido sob a discreta bandeira de uma estratégia de consolidação da hegemonia partidária e o aparelhamento do estado para fins específicos de prolongada permanência no poder, visando a tergiversar o salutar jogo democrático da alternância política. Poder-se-á retrucar que, de uma maneira ou de outra, em maior ou menor grau, tal é o processo natural do jogo do poder. E até certo ponto tal alegação é perfeitamente justificável. Mas estamos lidando aqui com especificidades.


O pensamento político chinês, e a longínqua história do país que o exemplifica à saciedade, dimensiona concretamente a concretude desse savoir-faire - eminentemente pragmático, embora sempre propenso a seguir os princípios, conceitos-prescrições de sua sabedoria -, entende e pratica as virtudes do campo semântico do conceito de hegemonia desde recuadíssima data. Em chinês moderno, o termo correspondente perdeu a riqueza matricial do termo genérico antigo, mais forte e direto em sua primitiva imagística, para previlegiar um viés ideológico: baquan, dois caracteres complexos que se  combinam para formar o conceito, o primeiro dos quais significando "déspota" e o segundo autoridade. Aqui a variação semântica fala, e muito, de certa visão.

Em chinês clássico, contudo, o ideograma que mais se aproxima nuclearmente da idéia  é shi, um caracter composto complexo (hui yi), formado por quatro significantes, tendo como radical li, força. A idéia central é a de algo que adquire empuxo, força propulsora e por isso torna-se vantagem estratégica, prepondera, torna-se,n ão menos, momentum. Shi é o título de um dos capítulos do Método Militar (Bingfa) ou Arte da Guerra, de Sun Zi. Seja como for, e palavras à parte, a dinâmica da idéia central é ali compreendida em suas variações, aplicações e matizes.

Ora, quando um governo, de jure e de facto, possui esta margem de vantagem, esse momentum hegemônico a seu favor – e existe sempre uma visão concreta subjacente das necessidades imperativas de uma nação, que emerge naturalmente do Zeitgeist e das necessidaees factuais econômicas, institucionais, morais, etc, – trata-se, portanto, de aproveitar "essa maré" favorável para implementar os mais altos desígnios que um governante possa outorgar ao povo. Trata-se de extrair vantagem máxima do momentum, principalmente ali onde existe consenso quanto às preementes necessidades, objetivas e subjetivas, materiais e espirituais.Está aqui em pauta a edificação de um verdadeiro processo educacional de cunho ético, que atue de modo a coibir o câncer de certos males, como o da corrupção, que costuma ser um desses ítens cruciais.

Isto porque, se é de fundamental  importância que o ordenamento jurídico seja severo e eficazmente aplicável para coibir o repertório de ilícitos civis e penais que afligem o país, numa ponta, necessário se faz que haja, na outra, uma espécie de ideologia educacional que cristalize, na consciência do cidadão, certas posturas inequívocas de cidadania, de postura ética face à coisa publica como um todo, não menos em todos aqueles outros casos, flagrantes, que a lei não contempla. Caso contrário, teremos então que aumentar indefinidamente o número de leis, e de prisões.

Mas esse processo educacional de construção plena da consciência da cidadania e de respeito à res publica tem que se converter numa espécie de visão fundamental de mundo, elementos metafísicos inclusos, voltada eminentemente para a pólis, a partir da qual não menos, a dimensão de liberdades e direitos individuais (a prática da minha liberdade tem que respeitar a dimensão de liberdade do outro), deverá funcionar como vetor, respaldada pelo nosso ordenamento jurídico positivo e pelas possíveis acomodações que nele possam ser feitas do direito natural (os anarquistas, naturalistas e comunalistas serão plenamente contemplados!). E essa visão educacional, esse incisivo e abrangente processo de formação do homo brasiliensi, a ser urgentemente implementada, há de subscrever-se  ao antigo conceito de paideia, por falta de um melhor.

A paideia, cujo étimo estreitamente vinculado à pedagogia é inequívoco, pressupõe uma nação  tornada proativa em sua articulação educacional para a formação de indivíduos de pleno direito na articulação de seus entes cívicos e ontológicos. Como as forças retrógradas do ethos nacional tendem a persistir em seus automatismos, aberta ou veladamente, insistindo  em manter um estado de torpor provindo dos hábitos recorrentes, seja sob uma plácida conivência com a vida orgânica, seja pela manutenção do status quo, uma nova paideia que erradique essas perniciosas tendências de origem encontrará sempre resistência.

   Tirar partido da vantagem hegemônica e do momentum para ensejar uma nova paideia é tarefa de grandes políticos e estadistas. Essa é sem dúvida a grande arte da política propugnada e encetada pelos grandes nomes da história do pensamento político, de Péricles e Platão até os mais recentes representantes. Certos momentos nacionais ensejam isso, mas, como diria   Maquiavel, o destino/sorte ( fortuna ) é uma dama que tem que ser submetida (... perché la fortuna è donna ed è necessario, volendola tenere sotto...).

Portanto, exatamente como nas mais variadas situações da vida, se não se aproveita o momento, ele se esvai talvez para nunca mais voltar. Mas para que ele, esse ou essa governante, detenha tal visão, é necessário que lhe sejam próprias qualificações, inatas ou adquiridas, entre outras aquelas que colocam os interesses maiores do país acima de sua pauta pessoal, de sua vaidade, de suas cerceantes circunstâncias de origem, pessoais ou partidárias.

Trata-se de uma transgressão, uma radical passagem no seio do status quo, de um empuxo que ultrapassa a inércia. Impõem-se que os motivos pessoais, travestidos pela retórica de ideais nacionais, não predominem sobre a visão maior, impessoal, a visão do estadista que vislumbra, por uma combinação de sabedoria política, astúcia, coragem e magnanimidade, os momentos certos para encetar as grandes ações que originarão e desembocarão nas passagens fundamentais do fortalecimento da  coisa pública e da idealmente plena participação dos cidadãos na edificação da nação. Trata-se pois de uma verdadeira revolução branca (nada de "coloridas", por favor!), posta em prática sob a roupagem de profundas reformas. É necessário, portanto que tal governante  seja ele mesmo fruto de uma espécie de paideia anterior, um optimum de seu ethos, seja ele/ela algo de um/a visionário/a.


Contudo a paideia - Bildung em alemão, ou a Educação Formativa, em português - esse conceito-vetor basilar provindo da grécia antiga, precisa ser  renovado e adaptado continuamente, o que os próprios gregos parecem ter esquecido de fazer na própria história já se vão uns dois mil e trezentos anos. A formação educacional e de consciência política, assim como dos cuidados do jovem para consigo próprio (cuidados de si), e o respeito à coisa pública e o amor à pátria, constituem os verdadeiros objetivos da paideia e têm por meta a construção e exercício pleno da cidadania. Uma encetada paideia nacional representa a grande estratégia, enquanto os sistemas educacionais representam as táticas, para obtenção dos mais altos ideias que existem subjacentes no ethos  de um povo ou nos aprimoramentos de visão de mundo que o Zeitgeist esteja forjando.

Cada nação tem sem dúvida latentes os subsídios de peculiaridades de sua própria paideia,provinda do seu ethos e mito original, manifestos ou ainda em imanência, mas existem sem dúvida os valores universais, sem os quais as nações dificilmente poderiam almejar a paz ecumênica. São eles os direitos e deveres objetivos e subjetivos referentes  à família/grupo social, ao trabalho, à nação. Esses constituem a manifestação plena, e não sofisticamente alardeada, do exercício e prática do conjunto de leis que articulam  o estágio de  avanço da sociedade. Os países escandinavos, que não entram em guerras físicas visando hegemonias geopolíticas internas ou externas há uns trezentos anos, sabem bem, pela emergência de uma consciência de cidadania cada vez mais aprimorada, que existem alguns eixos fundamentais no desenvolvimento de uma nação, para além de posturas  estreitamente ideológicas. Existe um consenso comum na média preponderante  da consciência nacional de que tal direção é esta ou aquela verdade de um dado momento.

 Países que por uma razão ou outra - seja pelos antecedentes históricos, condições geográficas, formação religiosa, índole do ethos, etc - não dispõem dessas condições sociológicas naturais, precisam certamente tirar partido de situações que possam ensejar a emergência de tais circunstâncias propícias, evitando a exacerbação dos extremos e convergindo para o aprofundamento  do centro. Mas precisa haver a vanguarda que vislumbre isso! E o político que o faça. E o momentum!

Cabe aos políticos e à intelligentsia vislumbrar e ensejar a emergência ou aprofundamento dessa consciência cívico-jurídica, dessa visão de mundo a tornar-se hegemônica na consciência do povo. Caso contrário, forças retroativas, provindas da obsessão individualista, ou dos perigos geopolíticos, poderão atuar e submeter a patamares pífios tal consciência popular, seja pela propagaçao de falsos valores e ideais, seja pela imposição materialista-consumista de novos modi vivendi do modelo econômico em curso, revertendo a condição do país a estados  de absoluta regressão e talvez de completa perda de identidade e subsequente avassalagem.

Para tal, parece-me que uma nova filosofia social, um novo prontuário de objetivos de vida (o telos grego, o artha hindu)  tenham que substituir aqueles atuais vigentes que visam ao tecnicismo, ao consumismo e ao lazer como o tripé do objetivo da felicidade humana. Esta atual postura vigente, materialista-consumista-lazerista, resulta inevitavelmente em perda de substância filosófica quanto à destinação humana, seja em sua vertente laica de aprimoramento ôntico, seja em suas perspectivas metafísicas, pois, como indagava Hegel, como pode um povo viver sem a dimensão metafísica?

  Uma nova paideia brasiliensi deverá incorporar não apenas a cristalização de   uma consciência cívico-jurídica através do processo educacional formal - por quê não se introduz a disciplina Direito desde o ensino fundamental? -, mas também uma nova visão de mundo que incorporará elementos ecológicos, dietéticos, disciplinas psicosomáticas e prontuários ético-deontológicos, conhecimentos cujo arcabouço de referências existe já abundantemente disponível.

Quanto mais o conhecimento do ordenamento jurídico houver sido incorporado à consciência popular - à consciência da realidade paupável de um Estado de Direito -, com a concomitante plena aplicação de suas sanções quando das infrações, mais preparados estaremos para ir retornando ao Direito Natural, agora uma oitava acima. Quanto mais introjetarmos uma visão superior dos potenciais - ainda que contigenciais diante da realidade cósmica-, do espírito humano, mais propensos estaremos a sair do ciclo interminável dessa história autodestrutiva que tem sido a marca registrada da humanidade até aqui. Sem o processo de aprimoramento de uma nova consciência cívica e metafísica estaremos aprisionados ao eterno retorno da roda cármica, do samsara que os sábios hindus aludiam, e talvez consigamos bem mais cedo do que qualquer acidente cósmico possa encetar, destruir por completo as possibilidades que tenhamos de encontrar a tão propalada felicidade, nos destruindo a nós mesmos e o mundo ao redor.

"Precisamos por vezes de remédios amargos - nam inogda nuzhnie gorkie lekarstva", disse Lermontov certa vez. Certamente que precisaremos disso também, pois que sem o esforço para quebrar hábitos, para “cortar na carne” (não como retórica, mas de fato) e promover com sinceridade e empenho de propósito a implementação de profundas reformas, não chegaremos a lugar algum.

Precisamos instaurar uma nova visão de mundo no Brasil, cuja espinha dorsal haverá de ser vibrada pelo  reverberar da ética em toda a sua dimensão. Mas para tal temos que constituir uma nova visão educacional, uma nova Paideia. Qual o líder político ou partido que encetará essa visão?

Os partidos que têm conduzio os destinos do país nas últimas décadas mostraram-se indiferentes a esse imperativo, e nunca incorporaram em suas filosofias políticas tal visão. Restou-nos, então,  o ordenamento  jurídico e a imanência ética de nossas consciências para resistir e  fazer avançar pachorrentamente esse processo, o nosso processo civilizatório.

Quando a instância maior que recebeu a outorga pelo voto para conduzir os destinos da nação tem como parte de seus objetivos uma noção conspiratória de servir primeiro a seus interesses e a seguir aos do país, acomodando-se e justificando-se para tal no ethos político vigente, na velha e viciada praxe, é então duvidoso que dali saia alguma grande paideia.

Paideia, ou a implementação de um programa de formação de um homo brasiliensi terá por espinha dorsal uma visão a um só tempo ética e filosófica do mundo,  visão que incorpora uma dose de realismo sócio-político-geopolítico com uma outra de expansão  do principium individuationis, circunscrita essa última aos limites de respeito à cidadania do outro, cada vez mais aprimorada  por um ordenamento jurídico eficaz.

O elemento utópico de qualquer paideia proativa reside em sua dimensão metafísica, e em seu ideário ontológico face as viscissitudes dos fatores de absurdo da situação humana no planeta e no cosmo. Uma paideia proativa constitui o work in progress de uma sociedade, não obstante sua dimensão sísifica e seus obstáculos; para enfrentá-los terá que ser feito uso de boas táticas visando à estratégia maior.

Hegemonia, Momentum e Paideia, um tripé conceitual cuja plena compreensão, e implementação pela ação política e pública, poderá ajudar a humanidade, mas muito particularmente o Brasil, a se retificar e crescer como nação na plena acepção histórica - e talvez quasi-metafísica - da palavra, para além, decididamente bem além do estágio inda claudicante e entorpecido em que se encontra.



27 de set. de 2012

MUSICAL/LITERARY ANALYSIS OF WAGNER'S PRELUDE TO TRISTAN


Musical/Literary Analysis of Wagner`s Prelude to Tristan and Isolde



by Jesualdo Correia 






                       

                                  


TristanChord.svg


[ Tristan`s initial theme and sub-theme ]



Richard Wagner [ est ] ... " le père irrécusable de l’analyse structurale des mythes " ( Claude Lévi-Strauss. Crue et le Cuit, p. 23  ).


"Du siehst mein Sohn... hier zum Raum wird die Zeit" 

 [ und... zu Färben... die Klänge! ]




There are works of art which surpass their very creator's ability to fully cognize them or even enjoy the fullness of their aesthetic and semiotic implications and riches. Tchernishevsky once asked Dostoievsky whether he was conscious or not about the social meanings of his novel Belye Nochi ("White Nights").

Nyet, of course he was not.

The same holds true from a purely critical art-historical point of view as well as for the very artist himself. Had Wagner attempted to acquire full cognizance about the marvels encapsulated in his opus, he would have fallen far short of accomplishing the task. Be it as it may, here is a working-in-progress summation of some forty-five years of aesthetic astonishment.


The experience has been somewhat similar of that of going, in a spiral manner, through one of Van Eyck's or Da Vinci's major paintings: there will always be something left to be seen and understood later on, something more than that which "meets the eye", let alone for the sake of another "perspective ". And in the case of Wagner we must, to start with and above all, forget the romantic label and the ad hoc trivialisations which the title Tristan and Isolde has been carrying along, for it's just a minor aspect of it.

Now, I would like to draw attention to a clutch of key conceptual terms and guiding images that the reader would do well to bear in mind for the purpose of evolving the requisite perceptions. The work under scrutiny is all about the following:

  1. Dialectics, in all possible ways and manners, dialectics being the very skeleton key of it all, through thematic interaction turning on itself with all its pregnancies and presided by the des-constructive pervading spirit of the chromatic harmonies challenging and evolving the main, if any, supposed tonal anchorage of the work;
  2. Supreme Sensuality heading for an orgasmic, cosmic in dimension blast - and the puritan minds and critics of the time were right to be outraged and foaming at the mouth, since this work is also about that human dimension, in a mixture of love in its Greek erotic sense together with the romantic ideals of the early 19th century;
  3. Waves... of various imagistic kinds, the very sea waves of the drama's plot, along with the core, all-pervading  musical cadence of the ups and downs through which that solitary ship advances north, by westwards, to its fatal destination. And we can almost see them and smell the scents of the foam on the surface, the waters and the depths of which acts as metaphor of our inner, subconscious world, Tristan and Isolde`s vessel being that of our wandering soul; 
  4. The Gigantomachia between Yes and No, Systole and Diastole, Yinand Yang, the Divergence/Convergence of earthly and divine realms;
  5. The Colour Spectrum, hues of the twelve, shades and tones of a fully fledged rainbow, bestowing a new palette of sounds, by then yet unknown to human ears;
  6. Advancements within the Chromatic scale, recursive experimentation in dissonance and a new array of semiotic/semantic incursions that score new horizons which are being brought along. We are therefore stepping here into an absolutely new musical realm, a new momentum in Western Classical music history, a terra hitherto incognita and there should be once and for all no doubt about this;
  7. Momentum of expansion, the lavishly gathering of momentum of all the designs and motives spun from the magic carpet which is being weaved...;
  8. Velatura, in the very Italian Renaissance sense of this word, which is to be found in Raphael and Tiziano... semiotic sound-velature;  

    And... abnegation..., in that best spirit of the Buddhism-outsourced Schopenhauerian philosophical worldview, which was exercising by the time of Tristan`s composition an extremely strong influence on Wagner.


    These image-evoking terms shall be of utmost importance as guides to our journey throughout this unique musical masterpiece, once referred to by Thomas Mann as being no human creation, but rather that of some divinity.

As in Parsifal, (where the initial thirty bars project us philosophically into a melancholic/metaphysical realm), so does the four-note core theme of Tristan`s Prelude, here into a deep nostalgic mood, three times languishily repeated, at the different pitches, along with its organically connected sub-theme, establishing thereby the subsequent prevailing ambiance and preparing for the magnificent explosion, from which emerges an overall yearning, yet optimistic cello phrase, with its invigorating, declamatory exposition.

But after the blow-up passage, at 1:42, which is as well some sort of deceptive cadence, the strings begin a long and solemn discourse at 1:52, as to inform the public what is all about, to be flanked quite a stretch by a nine-fold pizzicato, long before a reiterative playdoir of sorts is advanced at 3:23 by the main oboe, duly supported by the flutes. This initially mild line of dialogue, somewhat reticent in nature, though incisive by the oboe, has now assumed a more questioning expression and is already stepping into another phase: it`s turning intense and dramatic and is going to be majestically paraphrased by the French horns at 5:45. Wagner is now exploring the coherences and incoherences of that emotive dialogue, at the micro and macro levels jointly, all the way through the route of the Leitmotiv, continuously fragmented and again reconstructed. This progression is soon to become moderately hectic among woodwinds, brasses and strings alike. The yin, feminine nature of the melancholic lines is being upgraded by the yang, masculine control of the situation, to which it yields, if only gradually, now and then, as it keeps jumping head on into more and more vigorous, no matter how ethereal, dimensions.

Momentum has been built up for the looming grand event, some sort of coronation parcours is here in the works, though not at sight yet, being just foreshadowed. Wagner proceeds further, multidimensionally, as Barenboim would say. Yet, the emotions of this diving-and-surfacing through waves of emotions are so poignant that the whole of it has to fight against every single inner fibre of its nature in order to contain the impetus of rushing towards a precocious climax. The rhythm itself must restrain from expanding beyond its frame and the very sense of proportion here discloses Wagner`s mastery of his craft, Il meglio faber, the master of structural approach, “le père irrecusable de l`analyse estructurale du mythe”.

Thus, as the tutti approaches with intensifying strength, the diastolic forces are supposed to be systolically tamed in a last attempt, subdued as if it were. But alas, we already find ourselves beyond the point of no return, confronted with the alloy-like cohesion of the conflicting/converging aspects, needs and demands in their growing assertiveness, advancing head on to a no longer stoppable destinatiion.

Yeah, it`s now already inescapable, the whole situation is no longer reversible, the argumentation has reached a feverish pitch, becoming all the more eloquent. But wait, as a matter of fact they`re no longer arguing with each other. They are now agreeing, proclaiming the same values and desires, they`ve got now a single aim! There is a new sort of Being already alive, e pur se muove, now heading on its own towards its telos and so the timpani, predicting that coming vortex, gives its crucial contribution to that effect at 7:03, projecting thus the whole crescendo into another plan, onto a further dimension. From now on it`s all intensity, all convergences of purposes; all voices, motives, themes and pathoi are engulfing, intermingling, interweaving in that colourful tapestry of the orquestral crescendo and... lo and behold, now that the tutti is just about an inch of its culmination, with the rolling timpani loudly stressing it all, here comes as a majestic arch, yes, no other than that very same four-note of the initial theme, labelled Yearning Motive, stretching and resounding itself gloriously across the whole orchestra, now an apotheotic F, B, D♯ G♯ chord, re-emerging and asserting its thematic hegemony thrice again, far from behind and above, angelic trumpets blowing from heavens as it were, in utter and complete glorification of this conjuctionis of metaphysical noble ideals with Love Supreme in its paramount expression.

A
nd that climax is to last for quite a while before gradually slowing down, marked by the now mildly rolling timpani- melancholy and longing begin to ponder again. Now all is reversing back to the earthly organic realm and to the true tragic nature of love. However, something was glimpsed and acquired at the transcendental level, something was experienced and its seed will have somehow to survive in some sort of metaphysical dimension. Man transcended himself and knows that there is another realm, he was stripped from his organic and mental automatisms by the sheer beauty of the aesthetic impact, with its rhythmic and sound reverberating witchcraft. That momentum will be reminded later on, at 9: 10, although now in a distraught mood, just a sunken kind of echo deprived of the original strength and wichcraft. And thus the orchestra, now reducing itself with gravitas and performing with sober layers ever changing coloratura, sorrowfully drags itself in an intimate chat of melancholic whispering, fragment-like dialogue, between the English horn and the oboes, the timpani continuously trembling  at the background, this mood being carried forth as a stream by the cellos, basses and a couple of lonely circumspect clarinets, before everything becomes reduced to the final double pizzicato of the basses. And then, somewhere from the deck, Tristan sings the opening paradox:

"Westwärts schweift der blick... ostwärts streicht das Schiff... Westwards wanders the sight... eastwards skims the ship "!


[copyright ® Jesualdo Correia Gomes de Oliveira. Any quotation only with the author`s permission]


Zubin Mehta conducting:




 

11 de fev. de 2008

MAIN PAPERS ESSAYS AND TRANSLATIONS

CV Resumido:


The Paninian PrAdIpa, ShrI GopAla ShAstrI (trad. Hindi-English), 1976.

The Grammatical Tradition in India as Spiritual Path, Dissertação, 1976.

A Civilização da Índia Antiga, (inédito) 1979.

Um pouco de prosa e poesia de Gunnar Ekelöf , poeta sueco. 1979

A Tradição Gramatical na Índia como Disciplina Espiritual, (artigo) in Rev. Bras. de Língua e Literatura., nº. 3, 1980.

A Descoberta do Sânscrito pelo Ocidente, (artigo) in Rev. Bras. de Língua e Literatura, nº. 4, 1980.

Pânini e a Estrutura do Ashtâdhyâyî, (artigo) in Rev. Bras. de Língua. e Literatura., nº. 6, 1981.

Manual Elementar de Sânscrito, 1982 (inédito).

O Livro Tibetano dos Mortos ( trad.). Ed. Pensamento, 1983.

Yoga e Maternidade (trad. ) Ed. Tao, 1983.

Um Tal de Adolf Hitler, Sebastian Hafner (trad. : Anmerkungen zu Hitler ) Ed. Civilização Brasileira, 1985.

Tradução Relatório Anual UNICEF ( 1985/89).

Simone de Beauvoir – A guerreira aplicada (artigo), in Rev. Humanidades, nº 10, 1985.

O Mago em Stravinsky (artigo), in Correio Brasiliensi, 17/5/1985.
(reeditado em 13/11/2012 como Ruptura no Mago Stravinsky, online.

Teoria da Estética na China (artigo), in Correio Brasiliensi 02/12/1985.

Karen Blixten : As Vingadoras Angelicais ( trad.) , ed. Philobiblion, 1984/85

Uma Arte Chinesa, (artigo) in Correio Brasiliensi, 13/12/1985.

Teoria de Estética na Índia (artigo), 23/12/1985.

O Oriente do Ocidente (artigo), in Correio Brasiliensi, 30/12/1985.

Que rumo tomou a Trilateral? (artigo), in Rev. Brasileira de Ciência e Tecnologia, nº4, 1985.

O Sopro Primordial (artigo), in Correio Brasiliensi, 13/01/1986.

A Teoria Hindu do Karma (artigo), in Correio Brasiliensi, 30/01/1986.

Yi Jing, o Sustentáculo Metafísico (artigo), in Correio Brasiliensi 1986.

Yoga, Espinha Dorsal da Reintegração (artigo), in Correio Brasiliensi, 1986.

A Cavalgada da Irmã do Zaratustra, (artigo) in Rev. Humanidades nº 10. 1986.

Orientalismo, (artigo), in Rev. Humanidades nº 10, 1986

O Humanismo na obra de Leszek Kolakowski, (artigo) in Rev. Humanidades nº 11, 1986.

Ronaldo Torquato (crítica de arte), texto p/Exposição. 1990.

Juan Kancepolski (crítica de arte), in Jornal do Commercio, 1992.
Design de Cadeiras no Século XX (ensaio) 2002.

Rogério Tunis (crítica de arte para Exposição Galeria Cândido Mendes ), 2006

Humberto da Costa (Crítica de arte. Introdução ao livro ed. Moisés Fardjoun), 2007...

Jon Passmore : A Perfectibilidade do Homem (trad). Ed. Topbooks, 2001/2.

Wilhelm von Humboldt : Os Limites da Ação do Estado (trad.), Ed. Topbooks, 2002.

Rogério Tunes, (crítica de arte) texto p/Exposição, 2009.

Hegemonia, Momentum e Paideia, 2010, reeditado 2012, online.

Musical/Literary Analysis of Wagner`s Prelude to Tristan, 2012.

BIBLIOGRAPHIA BRASILIANA. Rubens Borba de Moraes. (Ensaio Bibliográfico de Livros Raros Publicados sobre o Brasil entre 1504 e 1900), Tradução. 2 vols, EDUSP, 2010.


CURRICULUM VITAE Resumido:


Formação Acadêmica:

Universidade de Estocolmo: Linguas e Culturas Orientais
( Indologia/Sinologia/Islamismo ) 1972/76.

Benares Hindu University: 1974/75.

Zhongguo Wenhua Daxue ( University of Taiwan, Yang Ming Shan, Taipei ) . Curso de Extensão em Chinês Clássico, 1975.

École Practique des Hautes Études, Sciences Religieuses,
Paris, 1977/78.


Atividades Profisionais:




1973-76. - Statens Invandraverket, Estocolmo/Suécia. Tradutor/Intérprete Sueco-Português/ Sueco-Espanhol/ Sueco-Francês.

1977-78. - Tradutor Free-lance Francês-Sueco/ Russo-Francês.

1979/82. -  Tradutor Técnico Inglês-Português/Francês-Português/Hindi-Português/Russo-Português.

1982-84. - Assessor/Tradutor Técnico Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

1981-84. - Palestrante sobre Culturas Orientais ( Arte/Filosofia Islâmica/Hindu/Chinesa ).

1984-85. - Tradutor Textos Ciências Humanas Ed. Civilização Brasileira.

1985-87. - Co-editor Revista Humanidades Brasília. Seção de Resenhas.

1985-88. - Tradutor Oficial do UNICEF do Relatório sobre A Situação Mundial da Infância.

1988-89. - Tradutor Trilingue de Patentes da Clarck-Modet do Brasil.

1989-92.  - Tradutor Técnico SENAC/SENAI/KNOLL do Brasil.

1992-94.  - Diretor da Biblioteca da Procuradoria da República 2a Região.

1994. -  Secretário Regional da Procuradoria Regional da República.

1994-2000. -  Antiquário/Marchand de Livros Raros.

2000-2001. - Tradutor da Bibliographia Brasiliana ( Rubens Borba de Moraes. (EDUP. 2010).

2002-2012. - Escritor/Ensaista. Pesquisador Geopolítica/Relações Internacionais e Estética Comparada.

2008/2012. - Professor Free-Lance de Linguas Ocidentais e Orientais.

2012- Ensaista/Comentarista em Geopolítica.


Áreas de Especialização:

Geopolítica/História do Pensamento Filosófico-Político (Mindset).

Paideia ( sistemas educacionais em diferentes culturas ).

Historiografia/Bibliografia da Brasiliana ( lato senso/ estrito senso ).

Técnicas Redacionais/Técnica da Argumentação Textual ( Political/Diplomatic Language).

Filosofia da Linguagem/ Linguística Comparada.

Questões de Tradutologia.